Escólio · Identidade · Escrito XXXII
A Ilusão Lúcida
Dom Quixote e a existência entre o Oriente e o Ocidente
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I
O real e o imaginado
II
Interdependência e loucura
III
Dulcineia e o fracasso
IV
A morte da ilusão
Em 1571, na Batalha de Lepanto, um soldado espanhol de vinte e quatro anos recebeu três ferimentos de arcabuz. Dois no peito. Um na mão esquerda, que ficaria para sempre inutilizada, o que lhe renderia, pelo resto da vida, o apelido de "o Maneta de Lepanto". Cinco anos depois, viajando de volta à Espanha, seu navio foi capturado por piratas otomanos, e ele passaria os cinco anos seguintes como escravo em Argel, tentando fugir por quatro vezes, todas fracassadas, todas perdoadas por um motivo que os historiadores ainda debatem, talvez sorte, talvez o simples fascínio que despertava em quem o capturava. De volta à Espanha, já sem glória de guerra e sem fortuna alguma, esse homem se tornaria cobrador de impostos, função que o levaria, décadas depois, a uma prisão em Sevilha, por irregularidades contábeis que nunca ficaram totalmente claras.
Foi nessa prisão, ou pouco depois dela, cercado de dívida, mutilação e humilhação acumulada ao longo de uma vida inteira que se recusou a dar certo, que Miguel de Cervantes começou a escrever a história de um fidalgo pobre que lia livros de cavalaria em excesso, até perder a cabeça, e saiu pelo mundo armado e montado, decidido a restaurar uma ordem de virtude que ele acreditava ter existido um dia. O livro que nasceu dali se tornaria, para muitos críticos, o primeiro grande romance moderno do Ocidente. E há algo de justiça poética nesse fato que merece ser dito antes de qualquer análise filosófica: a obra que inventou a modernidade literária não nasceu de conforto algum. Nasceu de um homem que transformou o próprio fracasso, material e físico, em material bruto de transcendência.
Este ensaio percorre seis temas centrais que atravessam a jornada de Dom Quixote, cada um confrontado por uma tradição ocidental e, em seguida, por uma tradição oriental que enxergou, séculos antes ou depois, ângulos complementares para a mesma pergunta. Porque Quixote, mais do que louco ou sábio, é sobretudo uma pergunta ambulante sobre o que significa insistir em ver o mundo como ele deveria ser, mesmo quando todas as evidências dizem o contrário.
Tema 1
O Confronto entre o Real e o Imaginado
Alonso Quijano contra Dom Quixote
A cena é conhecida mesmo por quem nunca leu o livro inteiro: um fidalgo magro, montado num cavalo igualmente magro, avista no horizonte um bando de moinhos de vento, e os interpreta como gigantes de braços monstruosos, prontos para serem abatidos em nome da cavalaria. Ataca. É lançado ao chão pela força da própria pá do moinho. Seu escudeiro tenta avisá-lo antes, em vão. Quixote, já caído, explica que um mago inimigo transformou os gigantes em moinhos no último instante, apenas para roubar-lhe a glória da vitória.
René Descartes, escrevendo poucas décadas depois da publicação do romance, formulou a pergunta que essa cena dramatiza sem citar o filósofo diretamente: como distinguir, com certeza absoluta, o que é real do que é projeção da própria mente? Descartes chegou a essa dúvida radical através da razão fria, imaginando um gênio maligno capaz de enganar todos os sentidos. Quixote chega ao mesmo território através do caminho oposto, não da dúvida, mas do excesso de crença, e ainda assim aterrissa na mesma pergunta fundamental: o que garante que os moinhos são moinhos, e não gigantes disfarçados por algum encantamento que ninguém mais percebe?
Guy Debord, séculos depois, descreveria a sociedade contemporânea como uma acumulação de espetáculos e representações que substituem a experiência direta do real. Mas há uma inversão que merece ser notada com cuidado, porque distingue Quixote de qualquer vítima passiva de espetáculo alheio: ele não é enganado por um sistema externo que lhe vende imagens fabricadas. Ele é o próprio fabricante do espetáculo em que decide viver, autônomo, sem sistema algum por trás manipulando-o. Os moinhos não mentem para Quixote. É Quixote quem decide, com todas as suas forças, que prefere a mentira gigante à verdade pequena.
A tradição hindu oferece, para esse mesmo problema, um vocabulário próprio e muito mais antigo: Maya, a ilusão cósmica que se apresenta como realidade absoluta.
Para essa tradição, todos vivem, em algum grau, dentro de Maya, tomando por definitivo o que é apenas véu temporário. Quixote não seria, sob essa luz, um louco isolado, mas um caso extremo e visível de uma condição universal: a dificuldade humana de distinguir o véu da coisa velada.
Zhuangzi radicaliza ainda mais essa incerteza através de sua parábola mais famosa: sonhou ser uma borboleta, voando livre, sem qualquer consciência de ter sido, um dia, homem. Ao acordar, não sabia mais dizer se era um homem que havia sonhado ser borboleta, ou uma borboleta que agora sonhava ser homem. A pergunta de Zhuangzi não busca resposta. Busca dissolver a certeza de que existe uma resposta única e estável. Descartes precisava vencer a dúvida para reconstruir a certeza. Zhuangzi convida a habitar a dúvida como estado permanente, sem urgência de resolvê-la. Quixote, entre os dois extremos, talvez seja o único personagem da literatura ocidental que escolheu, conscientemente, permanecer dentro do próprio sonho, mesmo sabendo, em alguns raros momentos de lucidez que o texto deixa escapar, que talvez fosse apenas isso: um sonho que ele decidiu não interromper.
Tema 2
A Interdependência Espiritual
A quixotização de Sancho e a sanchização de Quixote
Ao longo da novela, algo estranho acontece entre o cavaleiro e seu escudeiro: os dois começam, lentamente, a trocar de natureza. Sancho Pança, camponês prático, interesseiro, movido por comida e por promessas de riqueza fácil, começa a absorver, sem perceber, fragmentos da nobreza moral de Quixote. O ponto mais evidente disso acontece quando, finalmente nomeado governador da Ínsula Barataria, numa farsa arquitetada pelos Duques para zombar dele, Sancho surpreende a todos julgando com sabedoria genuína, resolvendo disputas complexas com um bom senso que ninguém esperava de um homem iletrado. Ao mesmo tempo, Quixote, o cavaleiro inflamado de ideais abstratos, vai se deixando tocar, aos poucos, pela linguagem concreta, pelo apetite e pela terra de Sancho, numa humanização gradual que os estudiosos chamam de sanchização.
Martin Buber, filósofo austríaco, descreveu duas formas fundamentalmente distintas de relação humana: o Eu-Isso, em que tratamos o outro como objeto a ser usado, analisado ou consumido para algum fim, e o Eu-Tu, encontro genuíno em que ambos os envolvidos se constituem mutuamente, sem que nenhum dos dois seja reduzido a instrumento do outro. Quixote e Sancho jamais se relacionam como Eu-Isso, por mais que a comédia da dupla sugira, à primeira vista, exploração mútua. O fidalgo precisa da terra de Sancho para não flutuar inteiramente para fora da realidade. O escudeiro precisa do céu do fidalgo para não rastejar pela vida inteira sem nunca erguer os olhos.
Nenhum dos dois seria quem se torna ao final da jornada sem o outro.
O budismo oferece, para esse fenômeno, uma arquitetura conceitual ainda mais radical: pratityasamutpada, a co-originação dependente, ensina que nenhum fenômeno existe isoladamente, que tudo o que existe surge em relação e dependência mútua com tudo o mais. Sob essa luz, a pergunta sobre quem influenciou quem entre Quixote e Sancho já nasce mal formulada. Não existe um Quixote original que depois contaminou Sancho, nem um Sancho original que depois moldou Quixote. Os dois emergem, ao longo da narrativa, como um único processo relacional, inseparável, que só faz sentido pensado em conjunto. Ninguém caminha sozinho pela estrada de La Mancha. A identidade de cada um se completa, literalmente, no passo do outro.
Tema 3
A Loucura como Recusa do Sistema
O absurdo da razão
Há um episódio no livro que dramatiza, quase como se fosse escrito propositalmente para este ensaio, a tensão entre espetáculo e realidade discutida no primeiro tema: o episódio do Retábulo de Mestre Pedro. Um titeriteiro apresenta um espetáculo de marionetes contando uma história de resgate mourisco. Quixote, absorvido pela encenação a ponto de não conseguir mais distinguir os bonecos de madeira dos personagens reais que representam, desembainha a espada e ataca o teatrinho inteiro, destruindo os títeres, convencido de estar salvando vidas de verdade.
Michel Foucault, em sua história da loucura, argumentou que a modernidade ocidental tratou a loucura cada vez mais como déficit a ser corrigido, isolado, silenciado, em vez de escutá-la como possível excesso de sentido que a razão instrumental já não conseguia processar. Erasmo de Roterdã, séculos antes de Foucault, já havia escrito um elogio irônico e sério à loucura, sugerindo que boa parte do que passa por sabedoria prática do mundo é, na verdade, cegueira disfarçada de bom senso, e que os loucos, paradoxalmente, às vezes enxergam com mais clareza. A loucura de Quixote, lida através dessas duas lentes, não é falha cognitiva simples. É excesso ético: ele enlouquece precisamente porque continua lembrando, com um vigor que ninguém mais ao seu redor sustenta, que o mundo abandonou virtudes que um dia pareceram evidentes.
A tradição taoista oferece, para esse tipo de recusa, o princípio de wu wei, a não-ação, ou mais precisamente, a ação que flui de acordo com a natureza interior de cada coisa, sem forçar contra o curso natural dos eventos. Poderia parecer, à primeira vista, que Quixote é o oposto exato de wu wei, já que sua vida inteira é ação forçada, quase violenta, contra o mundo que se recusa a cooperar com sua fantasia. Mas há uma leitura mais funda possível: Quixote nunca age por cálculo, por vantagem, por adequação estratégica às circunstâncias. Age por pura fidelidade a uma ordem interior que ele decidiu, de uma vez por todas, não trair, custe o que custar.
A loucura de Quixote e o wu wei do sábio taoista partem de lugares opostos, um gritando contra o sistema, o outro fluindo silenciosamente ao lado dele, mas os dois se recusam, com igual firmeza, a deixar que o mundo externo decida sozinho o que deve ser feito.
Tema 4
Dulcineia e o Desejo Inalcançável
A invenção do sagrado
Dulcineia del Toboso, a dama a quem Quixote dedica cada uma de suas façanhas, nunca aparece fisicamente na novela como Quixote a descreve. Ele a viu, quando muito, algumas poucas vezes, quando ela era apenas Aldonza Lorenzo, uma camponesa robusta da região, sem nenhuma das qualidades nobres que Quixote lhe atribui com tanta convicção. No episódio da Caverna de Montesinos, Quixote afirma ter descido a um mundo subterrâneo e ter visto, ali, Dulcineia encantada sob a forma de uma camponesa, vítima de feitiçaria que a transfigurou temporariamente, explicação que lhe permite manter intacta a fé na dama ideal mesmo diante de qualquer evidência contrária.
Jacques Lacan, psicanalista francês, descreveu o objeto de desejo como algo que move o sujeito precisamente por sua inacessibilidade estrutural, nunca por sua posse efetiva. O desejo, para Lacan, não busca satisfação completa, porque a satisfação completa dissolveria o próprio desejo. Dulcineia funciona, na economia psíquica de Quixote, exatamente como esse objeto: ela precisa permanecer inatingível para continuar sendo o motor de cada aventura. O filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard oferece um complemento a essa leitura através do que chamou de estádio religioso da existência, o estágio mais elevado de vida segundo sua filosofia, em que se ama o absoluto sem nenhuma garantia visível, num salto de fé que a razão nunca poderá justificar plenamente.
Dulcineia não precisa existir em El Toboso da forma como Quixote a descreve. Ela existe como norte de uma bússola, referência fixa que orienta a viagem inteira mesmo sem jamais ser alcançada.
A estética zen budista oferece, para esse mesmo fenômeno, uma resposta mais silenciosa e menos dramática: o desapego que não nega a beleza, mas se recusa a possuí-la. Amar a flor de cerejeira não pela posse de um ramo cortado e levado para casa, mas pela reverência ao que ela evoca no instante exato em que floresce e murcha. Dulcineia, lida através dessa tradição, não é ilusão a ser desmascarada, nem objeto psicanalítico a ser explicado. É prática de reverência: Quixote ama não a mulher que Dulcineia é de fato, mas aquilo que ela representa quando contemplada com os olhos certos.
Tema 5
O Fracasso sem Palco
As humilhações organizadas dos Duques
Na segunda parte do livro, Quixote e Sancho são recebidos por um Duque e uma Duquesa que, entediados com a vida de castelo, decidem organizar, com recursos e criatividade consideráveis, uma série elaborada de armadilhas e encenações destinadas unicamente a zombar da loucura do cavaleiro e do escudeiro, sem que nenhum dos dois perceba estar sendo manipulado por semanas a fio. É a humilhação mais cruel do livro inteiro, precisamente porque é organizada, sofisticada, encenada por gente poderosa que finge amizade enquanto arquiteta ridículo elaborado nos bastidores.
Albert Camus, em O Homem Revoltado, argumenta que a dignidade humana não nasce de vencer o absurdo, mas do próprio gesto de revolta contra ele, mesmo sabendo, de antemão, que a revolta não vai mudar o resultado final. Quixote, espancado, ridicularizado pelos Duques, perdendo dentes em outras aventuras, humilhado publicamente sem nunca vencer de fato uma única batalha que realmente importasse, encarna essa revolta pura: ele se levanta, sempre, não porque acredita que vai vencer desta vez, mas porque a alternativa, parar de se levantar, equivaleria a trair a própria essência.
Epicteto complementa essa leitura com precisão cirúrgica: o mercado do mundo, ou os Duques de um castelo, podem quebrar o corpo do cavaleiro, humilhá-lo publicamente, arruinar sua reputação. Mas não confiscam sua prohairesis, a faculdade da vontade moral que permanece, segundo Epicteto, como o único bem verdadeiramente inalienável de qualquer pessoa, blindado contra qualquer humilhação externa por mais elaborada que seja.
Um vaso reparado com ouro nas fissuras não esconde a quebra. Celebra-a como parte da história do objeto.
A tradição japonesa oferece, para essa mesma dignidade quebrada, um conceito estético que talvez capture melhor do que qualquer filosofia ocidental o que resta de Quixote depois de cada surra: wabi-sabi, a capacidade de encontrar beleza genuína na imperfeição, nas rachaduras e na fragilidade visível daquilo que já foi quebrado ao menos uma vez. Quixote, coberto de hematomas, dentes faltando, roupa rasgada pelas armadilhas dos Duques, não é menos digno depois de cada humilhação. É, sob a luz de wabi-sabi, mais inteiro exatamente por carregar visivelmente as marcas de tudo o que atravessou sem desistir.
Tema 6
A Morte da Ilusão e a Recuperação da Lucidez
O retorno a casa
Nas últimas páginas do livro, doente e prestes a morrer, Alonso Quijano recupera subitamente a sanidade plena. Renega os livros de cavalaria que o levaram à loucura, pede perdão a Deus e aos que ofendeu, e morre não como Dom Quixote de La Mancha, cavaleiro andante, mas como Alonso Quijano, o Bom, homem comum, lúcido, cristão temente, cercado pela tristeza confusa de Sancho, que suplica ao amigo que não morra, que ainda há aventuras pela frente, que talvez os gigantes ainda possam ser encontrados se procurarem mais um pouco.
Sêneca, em De Brevitate Vitae, argumenta que a vida não é curta em si mesma, mas se torna curta pela forma descuidada como a maioria das pessoas a desperdiça, distraída, adiada, nunca inteiramente vivida no presente por estar sempre projetada no passado que já não existe ou no futuro que ainda não chegou. A cena final de Quixote pode ser lida, sob essa luz, como a mais amarga confirmação da tese de Sêneca: Alonso Quijano só recupera plena consciência do tempo real, do tempo finito que lhe resta, no instante exato em que esse tempo está prestes a se esgotar por completo.
Toda a vida vivida como Dom Quixote foi, sob esse ângulo, tempo gasto fora do presente, perseguindo um passado de cavalaria que nunca existiu tal como ele imaginava.
O budismo oferece, para esse mesmo instante final, um conceito que ilumina a cena de um jeito diferente, talvez mais generoso do que a leitura estritamente estoica permite: nirvana, o apagar da chama, não como aniquilação, mas como extinção específica das projeções falsas, dos apegos e das ilusões que impedem o contato direto com a realidade tal como ela é, crua e nua, sem véu de fantasia sobre ela. Sob essa luz, a morte de Alonso Quijano não é apenas tristeza metafísica pela descoberta de que os gigantes eram, o tempo todo, apenas moinhos. É também, ainda que amargamente, uma forma de despertar. A chama de Dom Quixote se apaga para que, no breve instante final que resta a Alonso Quijano, o presente possa, enfim, se instalar sem disfarce algum.
Há algo de espelho invertido entre o começo e o fim desta história que merece ser dito antes de qualquer palavra final. Cervantes escreveu a liberdade mais radical de sua vida de dentro de uma prisão real, transformando cativeiro, mutilação e dívida em página. Alonso Quijano, ao contrário, só encontra a liberdade da lucidez ao abandonar, na cama onde morre, a única prisão que ele mesmo construiu ao longo de toda a vida: a fantasia que o protegia de ver o mundo como ele realmente era. Um homem escreveu a partir da lama para inventar um sonho. O sonho, para deixar de ser prisão, precisou, ao final, morrer de volta na lama de onde nunca deveria ter fugido por completo.
Um homem sem mão esquerda
escreveu sobre um homem sem juízo.
Os dois tinham, cada um a seu modo,
perdido alguma coisa que o mundo considerava essencial.
Os dois inventaram, com o que restou,
um jeito de continuar de pé.
Os moinhos nunca foram o inimigo.
O inimigo sempre foi
o homem que, ao ver os gigantes,
preferiu acreditar
que eram apenas moinhos.
E ainda assim,
no fim,
foi só quando Quixote finalmente concordou
que eram apenas moinhos
que ele deixou de estar vivo
do jeito que mais importava.
Talvez a lucidez não seja
o oposto da ilusão.
Talvez seja apenas
o preço que se paga
por ter, enfim, chegado em casa.
Dedicatória
Este escrito é dedicado a Sancho Pança, que sem nunca ter lido um único livro de cavalaria, entendeu, antes de qualquer filósofo, que seguir um louco com o coração certo vale mais do que seguir um sábio com o coração vazio.
Entre moinhos e gigantes, escolhendo enxergar os dois, Santos Moisés.
Este escrito lhe fez companhia?